Ser pai é ser referência para os filhos; é ser um porto-seguro, alguém em quem podem confiar, sempre. Agosto é mês dos pais, e a revista digital Notícias Médicas não poderia deixar de prestar a sua homenagem. Assim, convidou quatro pais médicos para cada um analisar uma questão específica sobre esse importante papel de educar, amar, inspirar e guiar os filhos. Prestigie!

Dr. Adriano Valente

Especialidade: Medicina Nuclear

Pai do Lucca, 23 anos, 6° ano de medicina, e Carolina, 20 anos, 4º ano de medicina

Seus filhos seguiram a carreira de medicina. Como é ser inspiração profissional para eles?

“Ter sido a inspiração profissional para meus filhos, acredito que tenha sido uma coisa que aconteceu naturalmente, como resultado da relação prazerosa e especial que tenho com a profissão, que sempre me proporcionou a possibilidade de fazer o que gosto e disto, minha profissão. Nunca percebi a profissão como um fardo ou um sacerdócio, como algo que exija uma doação unilateral, mas, sim, enxergo ela como uma simbiose de benefícios especiais e uma troca de boas ações, bons momentos e muita cumplicidade. Meu filho enxerga a profissão com um olhar permeado pela juventude e pela esperança de fazer diferença no seu desenvolvimento pessoal, na sua postura como cidadão e no percurso da vida das pessoas que a profissão vai colocar à sua frente, trilhando um caminho próprio, guiado pelo amor à profissão. Minha filha traz um olhar feminino, perfeccionista, cujo olhar brilha aos avanços da tecnologia e por acreditar que estamos fazemos parte de uma grande revolução tecnológica que trará melhorias indescritíveis a toda humanidade.”

Dr. Alderico Cabral de Sousa Viana

Especialidade: Medicina do Trabalho

Pai de Julia, 35 anos, artista, e Raphael, 33 anos, engenheiro

No papel de médico e pai, como foi acompanhar o desenvolvimento dos filhos, especialmente avaliar as emocionais, educativas e outras?

“Os médicos, de um modo geral, trabalham bastante e nem sempre podem acompanhar os filhos em todas as suas atividades. Dentro do possível, acho que consegui acompanhar o desenvolvimento dos meus filhos e estar próximo deles, porque estávamos sempre juntos. Brincava muito com eles quando chegava do trabalho ou quando viajávamos para o interior e ficávamos na chácara dos meus cunhados, onde realizávamos um monte de atividades: nadar na piscina, jogar bola, apanhar mexerica no pé… No carnaval, sempre curti demais com eles, nas matinês do clube em Araras. Também íamos muito ao Clube de Campo da APM, na Serra da Cantareira, onde ficávamos o dia inteiro em família, andando de bicicleta, aproveitando a piscina etc. Quando conseguíamos chalé para nos hospedar, passávamos o fim de semana repleto de atividades. Nesse convívio todo, eu ensinava, e ainda ensino, coisas da vida e especialmente valores. Acredito ser um pai liberal. Digo até hoje para eles procurarem saber o que querem, irem atrás dos seus sonhos, sempre incentivando a importância do estudo sobre tudo isso. Mas acho que é normal os pais e mães se cobrarem muito por não ter podido dar mais atenção aos filhos. E eu não fujo dessa regra.”

Dr. Thiago Brunelli Resende da Silva

Especialidade: Otorrinolaringologia

Pai de Sophia, 10 anos, e Pietra, 7anos

Uma das preocupações do pai é em relação aos cuidados com a saúde dos filhos. Nesse ponto, ser um pai médico facilita essa tarefa?

“Ser pai e médico tem suas vantagens no acompanhamento da saúde e bem-estar dos filhos, porque aplicamos nossos conhecimentos profissionais na vida familiar. No entanto, a profissão nos coloca, às vezes, numa encruzilhada de emoções, onde buscar o equilíbrio entre ser pai e ser médico me motiva cada dia mais. Por ser filho de um médico, Dr. Dilson, eu vi as dificuldades que meu pai tinha de estar comigo, porque muitos momentos eram interrompidos por ligações de hospitais ou mesmo atendimentos em casa. Com as minhas filhas não é diferente. Atualmente, como estamos mais em casa à noite, participando regularmente de reuniões acadêmicas, vejo que minhas filhas querem minha atenção. Por isso, valorizo os momentos que estamos juntos, como quando as busco na escola ou as levo para passear, assistimos filmes em casa, conversamos à mesa, nas tarefas diárias e nos afazeres da escola. Exercer a paternidade exige uma troca de funções, novas responsabilidades, novos desafios e novas alegrias. A busca do equilíbrio é uma constante. Agradeço muito a influência dos meus pais na minha formação médica e por me apresentarem situações que comprovei muito mais adiante. Sou pai de duas meninas lindas, que me dão muito orgulho e me deixam com cabelos mais brancos a cada dia. E a medicina me fez um pai melhor.”

Dr. Vanderley da Silva de Paula

Especialidade: Cirurgião Vascular

Pai de Luiza, 18 anos, estudante

O que é ser pai e médico durante a pandemia do coronavírus, principalmente se trabalha na linha de frente de combate à covid?

“A pandemia mudou a dinâmica familiar. Trabalho na linha de frente do Hospital Estadual Mário Covas e de Campanha Pedro Dell’Antonia, em Santo André. Sou separado e minha segunda mulher é enfermeira e trabalha em hospital. Para diminuir o risco de me infectar e também de não transmitir a doença, adotei todas as condutas de segurança. Mesmo assim, peguei covid em janeiro deste ano, fiquei isolado no meu quarto e, graças a Deus, só tive sintomas leves. Sou filho único e passei a cuidar de longe da minha mãe, de 84 anos. Minha filha tem 18 anos e mora comigo desde a minha separação. Com o isolamento, ela ficou longe dos amigos, das avós. Também teve projetos adiados, como o intercâmbio para o Canadá, que faria em 2020. Hoje, temos uma segurança maior com a vacinação, mas o grupo da minha filha ainda não foi vacinado, então ficamos preocupados. Apesar de tudo isso, percebi que os laços de pai e filha ficaram mais fortalecidos; em contrapartida, sem a rotina normal, o jovem fica mais intransigente, mais tenso. Foi preciso terapia para equilibrar as emoções. Vivemos o início, o meio e não vivemos ainda o fim da doença, mas aos poucos estamos retomando projetos e a esperança.”

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