Cuidar de quem cuida
Dr. Newton Ota Takashima
Após um ano de pandemia, aos poucos vamos conhecendo mais sobre a doença e as melhores estratégias para combatê-la. O avanço da vacinação é muito importante, porém, além de imunizar a população, é preciso um conjunto de ações para que a doença seja realmente controlada. Devemos destacar que a pandemia afeta a população também em sua saúde mental e sua vida social. Precisamos responder adequadamente a essas demandas, além da questão da disseminação do coronavírus.
A classe médica é impactada por vários questionamentos, que vão desde a autocobrança excessiva dos profissionais, que se questionam se fazem tudo o que é realmente possível, que se compadecem quando os tratamentos não surtem o efeito esperado, mesmo com toda conduta correta, e sobretudo, quando extrapolam os limites do corpo e da mente, por trabalharem exaustiva e muitas vezes ininterruptamente na batalha contra a doença. Pesquisas recentes mostram que o grau de infelicidade dobrou entre os profissionais da classe médica durante a pandemia, e a baixa autoestima dos médicos tem afetado significativamente seu trabalho e seu relacionamento social. Muitos profissionais têm recorrido à medicamentos antidepressivos para controlar sua saúde mental e dar conta do seu trabalho.
Para compreender melhor a situação dos profissionais médicos em nossa região, as três regionais da APM que atuam no Grande ABC estão elaborando uma pesquisa sobre o grau de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático que eventualmente estejam afetando o trabalho dos médicos. A pesquisa seguirá um rígido protocolo internacional, e os profissionais serão estimulados a responder um questionário sobre sua situação em relação a sua condição. Após a análise dos dados, os participantes receberão orientações básicas para tratamento. As respostas serão totalmente sigilosas, com acesso restrito apenas a um grupo de três profissionais psiquiatras ligados à FMABC, que realizarão a análise dos dados. As regionais da APM terão acesso apenas à tabulação das respostas, sem identificação dos participantes.
A partir dos resultados dessa pesquisa, teremos condições de descobrir a melhor estratégia para ajudar nossa classe, em busca do atendimento às maiores necessidades.
Por isso, é muito importante a colaboração dos médicos que trabalham ou moram em uma das sete cidades que integram a região do Grande ABC. Também podem participar outros médicos que queiram colaborar ou se avaliar. Queremos, assim, ajudar a cuidar de quem está cuidando de todos nós.
Presidente da Associação Paulista de Medicina Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra